Interlocutores da campanha dizem que cerca de 300 mil indígenas que não votaram no 1º turno podem ir às urnas neste domingo. A mobilização se apoia na revisão do TSE, quando Kassio Nunes Marques mudou entendimento sobre transporte.
Interlocutores da campanha do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) têm a expectativa de que cerca de 300 mil indígenas que não conseguiram votar no primeiro turno possam ir às urnas neste domingo, 25, no segundo turno das eleições. A projeção vem como parte de uma estratégia voltada para reduzir a abstenção, fator que pode ser determinante em uma disputa acirrada.
A expectativa da campanha se baseia na mudança de entendimento do Tribunal Superior Eleitoral (TSE). O presidente do TSE, ministro Kassio Nunes Marques, reconsiderou uma decisão anterior que subordinava o transporte de eleitores indígenas por órgãos federais à aprovação prévia de juízes eleitorais. Essa reconsideração altera a medida tomada na sexta-feira, 23, que exigia autorização judicial para cada viagem, com identificação de veículos ou embarcações, condutores, rotas, paradas e horários.
Com a nova determinação, operações de deslocamento em áreas remotas poderão ocorrer neste domingo sem depender de aprovação individual de cada juiz eleitoral, o que, segundo interlocutores da campanha, facilita a logística de transporte e amplia a possibilidade de comparecimento às seções eleitorais.
A Secretaria de Comunicação Social (Secom) da Presidência da República informou neste sábado que o governo federal adotará medidas para garantir o acesso gratuito de indígenas e outras comunidades à votação neste domingo. Segundo a Secom, comunidades quilombolas, ribeirinhas, extrativistas e famílias assentadas terão transporte gratuito garantido por órgãos federais. Quando não for possível disponibilizar o transporte, há previsão de ressarcimento das despesas.
O tema da mobilização de eleitores em áreas remotas reúne questões práticas e humanas: logística, comunicação com lideranças locais, segurança dos deslocamentos e coordenação entre órgãos públicos e organizações comunitárias. A campanha vem enfatizando ações que reduzam barreiras físicas e burocráticas ao voto, enquanto as autoridades eleitorais e administrativas ajustam procedimentos para viabilizar o comparecimento das comunidades afetadas.
Em termos práticos, a expectativa apontada pela campanha reforça a importância do planejamento das viagens, da identificação de pontos de embarque e desembarque adequados e do monitoramento dos deslocamentos para que o transporte chegue às localidades mais isoladas. Para as lideranças comunitárias e equipes de base, o foco é articular cronogramas de saída que considerem rotas fluviais e terrestres e imprevistos que costumam afetar regiões remotas.
Independentemente dos números finais, a mobilização prevista para este domingo evidencia como logística e decisões judiciais podem influenciar a participação eleitoral. A possibilidade de que até 300 mil indígenas compareçam às urnas mostra que, em eleições competitivas, a organização do transporte e o acesso efetivo às seções eleitorais podem ter impacto significativo no resultado.


Fonte: InfoMoney – Mercado
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