Scott Bessent afirmou que movimentos desordenados do iene podem provocar liquidações em massa e pressionar custos de financiamento domésticos. Em carta de 27 de agosto, detalhou a intervenção conjunta com o Japão.
O secretário do Tesouro dos EUA, Scott Bessent, afirmou que oscilações desordenadas do iene poderiam gerar riscos significativos para o sistema financeiro global e afetar os custos de financiamento domésticos. Em carta datada de 27 de agosto e divulgada publicamente no dia seguinte, Bessent respondeu a questionamentos sobre a intervenção cambial conjunta realizada pelos Estados Unidos e pelo Japão no mês anterior e explicou os mecanismos usados pelo Tesouro.
Segundo a mensagem, movimentos abruptos na taxa de câmbio podiam desencadear liquidações de posições que impactariam mercados de ativos em várias jurisdições, elevando, em última instância, os custos de captação para famílias e empresas nos EUA. Para descrever esse risco, a carta destacou a possibilidade de “liquidações forçadas” caso o iene seguisse em quedas desordenadas.
“liquidações forçadas”
Bessent detalhou que a intervenção realizada em 31 de julho envolveu a troca de ativos em moeda estrangeira mantidos no Fundo de Estabilização Cambial (ESF) por ienes. Ele citou usos anteriores do ESF como precedente operacional, mencionando a experiência com a Argentina como exemplo de aplicação em períodos de severa iliquidez de curto prazo.
“O mesmo princípio foi aplicado na Argentina, onde o Tesouro utilizou o Fundo de Estabilização Cambial para estabilizar o país em um momento de grave iliquidez de curto prazo e para impedir que o problema se transformasse em uma crise regional mais ampla.”
Na carta, Bessent também defendeu a coordenação com Tóquio como medida preventiva, argumentando que evitar crises desordenadas preserva estabilidade e opções de política no futuro.
“A crise mais bem administrada é aquela que nunca acontece.”
O comunicado ocorreu em um momento de nova pressão sobre a moeda japonesa: o iene voltou a se desvalorizar frente ao dólar apesar das expectativas de alta de juros pelo Banco do Japão. No mês anterior, o iene havia atingido uma mínima de quase 40 anos, próxima de 164 por dólar, e se recuperado até 155,20 logo após a intervenção de 31 de julho, para então enfraquecer novamente em direção a 160. A moeda também caiu brevemente abaixo de 160 por dólar na sexta-feira, nível visto pelo mercado como um limiar que aumenta a probabilidade de novas ações coordenadas.
Bessent observou que o ESF é uma reserva de emergência administrada pelo Tesouro dos EUA para estabilizar mercados cambiais e financeiros domésticos e lembrou usos recentes: no ano anterior o Tesouro havia empregado o ESF para apoiar o mercado do peso argentino e estabelecido uma linha de swap cambial de US$ 20 bilhões com o objetivo de estabilizar a moeda.
O teor da carta e a descrição das operações reforçaram a mensagem de que intervenções coordenadas são ferramentas destinadas a conter movimentos desordenados e preservar condições financeiras estáveis, mantendo como referência medidas e precedentes operacionais já utilizados pelo Tesouro.

Fonte: InfoMoney – Mercado
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