O Grupo Casas Bahia fechou o segundo trimestre de 2026 com prejuízo líquido de R$ 10,1 bilhões, resultado inflado por baixas contábeis ligadas ao plano de reestruturação da companhia. No mesmo período do ano passado, a perda havia sido de R$ 555 milhões.
O número que realmente mostra a operação
O prejuízo bilionário não representa saída de dinheiro do caixa. A varejista registrou R$ 9,1 bilhões em efeitos contábeis não recorrentes e sem efeito caixa no trimestre, decorrentes do plano de transformação.
Excluindo esses lançamentos, o prejuízo ajustado foi de R$ 978 milhões — número mais próximo do desempenho real da operação e ainda assim bem acima da perda registrada um ano antes.
Receita cresce, mas margem encolhe
A receita líquida somou quase R$ 7 bilhões, alta de 1,6% na comparação anual. O problema apareceu nas linhas de despesa:
- Despesas com vendas, gerais e administrativas: R$ 1,8 bilhão, aumento de 17%.
- Outras despesas: R$ 3,5 bilhões, contra apenas R$ 49 milhões no mesmo trimestre do ano anterior.
- Ebitda ajustado: R$ 518 milhões, queda de 9,4%.
- Margem Ebitda: 7,4%, ante 8,3%.
298 lojas fechadas na Fase 2 do plano
Como parte da segunda etapa do plano de transformação, a companhia encerrou 298 lojas. Segundo a empresa, o redimensionamento da rede busca melhorar as margens de contribuição e elevar em 6 pontos percentuais a participação do carnê nas lojas que permaneceram abertas.
A frase que acendeu o alerta do mercado
Nas notas explicativas do balanço, a Casas Bahia informou que segue avaliando a “reorganização formal de seus passivos e obrigações, incluindo possível nova recuperação extrajudicial ou recuperação judicial“.
A companhia já passou por uma recuperação extrajudicial em 2024. O tema voltou à mesa depois de uma frustração relevante: a empresa estruturava uma captação de peso junto a investidores internacionais, considerada de “extrema relevância no planejamento financeiro”, que não se concretizou por causa da desistência do investidor âncora.
Endividamento melhora na comparação anual
Há um ponto positivo no balanço. A posição de caixa, incluindo recebíveis não descontados, ficou em R$ 2,9 bilhões, e a relação dívida líquida sobre Ebitda ajustado dos últimos 12 meses caiu para 0,5 vez, contra 2,2 vezes um ano antes.
Como ficou a ação BHIA3
Apesar do resultado, os papéis da varejista (BHIA3) subiram 1,54%, cotados a R$ 0,66, com 2,43 milhões de ações negociadas.
Com informações do Investing.com Brasil. Este conteúdo é informativo e não constitui recomendação de investimento.
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