No último sábado, 30 de maio de 2026, o governo da Colômbia fez uma acusação grave contra o presidente do Equador, Daniel Noboa. A Colômbia alega que Noboa tentou interferir nas eleições presidenciais colombianas ao associar a eliminação de tarifas sobre produtos colombianos a acordos políticos com um candidato da oposição. Essa declaração vem à tona em um momento crítico, véspera da importante votação que escolherá o sucessor do presidente Gustavo Petro, que é um político de esquerda.
Em seu comunicado oficial, Bogotá afirmou que a decisão do Equador de revogar as tarifas de comércio bilateral, a partir de 1º de junho, não deve ser vista como um gesto voluntário de Quito, mas sim como uma resposta às determinações da Comunidade Andina de Nações. Esta organização regional havia exigido a eliminação das barreiras comerciais que foram impostas pelos dois países.
“A revogação das tarifas não deve ser apresentada como uma medida de boa vontade, pois ignora seu fundamento jurídico e institucional”, declarou o governo colombiano.
Na sexta-feira, 29 de maio, Noboa havia divulgado no X que a taxa de segurança sobre importações colombianas seria retirada, após uma conversa com o candidato oposicionista Abelardo de la Espriella, que está entre os favoritos nas pesquisas. Noboa enfatizou que ambos compartilhavam o objetivo de fortalecer a cooperação em áreas como comércio, energia e segurança, especialmente no combate ao narcoterrorismo.
Entretanto, a relação entre Noboa e Petro tem sido marcada por tensões, e o presidente equatoriano não esclareceu se manteria essa disposição caso o candidato governista, Iván Cepeda, fosse eleito.
O governo colombiano também destacou que a decisão de Noboa não apenas desfigura a base jurídica por trás da revogação, mas também desconsidera as advertências de organismos internacionais como o Fundo Monetário Internacional. Esses alertas indicam que as restrições comerciais podem ter impactos negativos significativos na economia, competitividade e nas comunidades de fronteira.
A Colômbia classificou a atitude de Noboa como uma “flagrante violação do princípio de não intervenção nos assuntos internos”, apontando que isso representa uma ameaça à soberania e ao sistema democrático do país.
Além disso, Bogotá reafirmou sua intenção de revogar as medidas retaliatórias que havia adotado contra o Equador, incluindo tarifas sobre produtos equatorianos, com o objetivo de restabelecer a simetria nas relações econômicas entre os dois países. Essa disputa comercial teve início em janeiro, quando Quito impôs sobretaxas que chegaram a 100% sobre as importações colombianas, desencadeando uma guerra comercial que afeta ambos os lados.

