Washington reconheceu oficialmente PCC e Comando Vermelho como organizações terroristas. Para jurista brasileiro, a medida expõe a omissão do Estado no combate às facções.
Desde o dia 5 de junho, os Estados Unidos reconheceram oficialmente as facções criminosas Primeiro Comando da Capital (PCC) e Comando Vermelho (CV) como grupos terroristas. Essa classificação foi apoiada pelo juiz federal aposentado Odilon de Oliveira, que atualmente atua como advogado em Campo Grande (MS).
De acordo com Oliveira, as ações perpetradas por essas facções vão além do que se considera crime comum. Ele argumenta que a prática de atos políticos e a busca por dominação territorial são evidências claras de que esses grupos operam com uma lógica de terrorismo.
“O Rio de Janeiro está, aos poucos, sofrendo dominação territorial pelo Comando Vermelho. É óbvio que isso é terrorismo. PCC e CV praticam terrorismo político-administrativo”, afirma o jurista.
Oliveira, que tem um histórico de condenações a líderes de facções, como o traficante Fernandinho Beira-Mar, traz uma análise histórica que contextualiza o fenômeno. Ele recorda de um caso emblemático ocorrido em 2004, quando as Farc, o PCC e o Exército do Povo Paraguaio sequestraram a jovem Cecília Cubas, filha de um ex-presidente paraguaio. O sequestro durou mais de 90 dias, e a família, que teve que pagar um resgate de US$ 5 milhões, conseguiu reunir apenas US$ 800 mil, resultando na trágica morte da vítima.
Além de destacar a gravidade da situação, Oliveira também propõe medidas para o combate eficaz ao PCC e ao CV. Ele sugere uma colaboração mais próxima entre o Brasil e os setores de inteligência dos Estados Unidos, como um passo estratégico para enfrentar essas organizações criminosas.
A análise completa sobre esse tema e as implicações para o Brasil estão disponíveis na entrevista concedida por Odilon de Oliveira, que faz parte da Edição 326 de uma renomada revista do país. A discussão se aprofunda nas dinâmicas do narcotráfico e os riscos que o Brasil enfrenta no cenário atual.


