No dia 16 de julho de 2026, Jamieson Greer, representante de Comércio dos Estados Unidos, foi incisivo ao responder sobre Flávio Bolsonaro durante uma coletiva com jornalistas. Sua declaração foi clara: “Ele participou de uma audiência pública, em conformidade com as leis e regulamentos que regem as investigações conduzidas sob a Seção 301. No entanto, não houve nenhuma reunião entre mim ou membros da equipe do USTR e o senhor Bolsonaro.”
Esse posicionamento deixou evidente a intenção do governo americano de desassociar a tarifa de 25% que incidirá sobre produtos brasileiros a partir do dia 22 de julho de qualquer articulação política envolvendo a oposição bolsonarista. O tratamento dado ao nome de Flávio Bolsonaro foi marcado pela frieza institucional, contrastando com as críticas mais contundentes dirigidas ao atual governo brasileiro.
Greer não hesitou em criticar a atuação dos tribunais brasileiros, afirmando que estes têm funcionado como instrumentos de censura ao exigir que empresas de tecnologia dos EUA removam conteúdos políticos e contas, inclusive de um ex-presidente, sob ordens que permanecem em sigilo. Ele também mencionou multas diárias consideradas excessivas e ameaças ao fechamento das operações americanas, além de destacar o favorecimento do sistema de pagamentos Pix, que, segundo ele, gera desvantagem competitiva para as empresas dos Estados Unidos.
As críticas continuaram, com Greer apontando as tarifas preferenciais concedidas à Índia e ao México, a inadequação na aplicação das leis anticorrupção — com o Brasil marcando apenas 35 pontos no Índice de Percepção da Corrupção de 2025 — e os impactos do desmatamento ilegal sobre os produtores agrícolas americanos. O representante expressou uma clara insatisfação com o andamento das negociações, ressaltando que, após mais de um ano de diálogos, as ofertas feitas não tiveram resposta satisfatória.
“Fizemos diversas ofertas e apresentamos várias propostas, mas não obtivemos uma resposta satisfatória”, afirmou Greer, que reconheceu algum progresso nas últimas seis semanas, mas não escondeu sua frustração com o que considera um padrão brasileiro de promessas vagas.
O recado de Washington é claro: a tarifa de 25% não é uma questão ideológica, mas sim comercial e ligada a políticas públicas. Isso implica que o governo atual deve responder de forma concreta e eficiente, sem a opção de usar a narrativa de perseguição política. A paciência americana é limitada, e a porta para a negociação ainda está aberta, mas o tempo é um fator crucial.
Agora, resta saber se o governo brasileiro entenderá a seriedade da situação ou se preferirá transformar esse importante debate comercial em mais um capítulo da guerra cultural interna.
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