O decano do STF encerrou o Fórum de Lisboa defendendo o multilateralismo como antídoto ao radicalismo. Para Mendes, mecanismos internacionais são essenciais para disciplinar o ambiente digital.
LISBOA — O decano do Supremo Tribunal Federal (STF), Gilmar Mendes, encerrou a 14ª edição do Fórum de Lisboa, realizado no dia 3 de junho de 2026, com uma defesa incisiva do multilateralismo e uma crítica ao que ele chamou de “nacional-populismo”. Mendes ressaltou a importância de mecanismos internacionais que possam disciplinar o ambiente digital, um tema que vem ganhando cada vez mais relevância na sociedade contemporânea.
No seu balanço dos debates ocorridos na capital portuguesa, o magistrado destacou que “o diálogo multilateral é o melhor antídoto contra o radicalismo nacionalista que ronda hoje as nossas democracias”. Ele associou o aumento do nacional-populismo ao enfraquecimento das estruturas internacionais que, segundo ele, são essenciais para a cooperação entre países.
“O nacional-populismo dos nossos dias, com seu reservatório iliberal, tem uma característica notória: o desprezo pelo multilateral”, afirmou Gilmar Mendes durante o evento, que ficou conhecido como Gilmarpalooza.
O ministro também criticou o unilateralismo adotado por algumas nações, enfatizando que o fortalecimento da soberania dos Estados está intrinsicamente ligado ao reconhecimento das instâncias multilaterais. Mendes rejeitou a ideia de “projetos de um imperialismo anacrônico”, defendendo uma abordagem que valorize a colaboração internacional.
A parte mais contundente da sua fala abordou as redes sociais, os dados e a inteligência artificial. Gilmar Mendes apontou que o espaço digital se transformou em uma esfera transnacional que opera, em grande parte, fora dos tradicionais instrumentos de coordenação internacional. “As regras que o estruturam, dos padrões técnicos aos critérios de moderação, são escritas em poucos países, por poucos atores privados, e impostas globalmente”, observou.
Ele argumentou que a noção de soberania no século 21 deve ser reavaliada, pois as decisões sobre soberania agora se estendem para o campo digital. “Reafirmar a soberania, no século 21, exige reconhecer que ela já não se decide apenas em tratados, mas também em código”, declarou Mendes.
Além disso, o decano do STF também respondeu a críticas sobre o evento, afirmando que as críticas são recebidas “com serenidade”. Ele se referiu a algumas dessas críticas como resultado de “leituras apressadas”, “incompreensões” ou “oportunismos”. Para encerrar, Mendes recorreu a um ditado popular, afirmando que “ninguém se livra de pedrada de doido nem de coice de burro”.
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