Exatamente à meia-noite deste sábado (19), pelo horário de Brasília, a Lua alcançou a posição mais distante da Terra ao longo de sua órbita — o ponto conhecido como apogeu. Esse fenômeno é consequência direta do formato elíptico da órbita lunar: a trajetória não é perfeitamente circular e faz com que a distância entre a Terra e a Lua varie ao longo do mês.
Na prática esses valores oscilam cerca de 14% entre os extremos: o perigeu, a aproximação máxima, fica em aproximadamente 356.500 km, enquanto o apogeu chega a cerca de 406.700 km. Essas diferenças alteram o tamanho angular do disco lunar e seu brilho, ainda que, para observadores a olho nu, as variações sejam sutis, especialmente porque as fases da Lua mudam ao mesmo tempo.
“Esses valores são médios porque, na prática, variam bastante devido às influências gravitacionais do Sol e dos outros planetas do Sistema Solar”, diz Marcelo Zurita, presidente da Associação Paraibana de Astronomia (APA), membro da Sociedade Astronômica Brasileira (SAB), diretor técnico da Rede Brasileira de Observação de Meteoros (Bramon) e colunista.
Segundo medições e bancos de dados astronômicos, o ciclo que leva a Lua do perigeu ao apogeu e de volta ao perigeu tem duração de 27,55 dias — o chamado mês anomalístico. Esse intervalo é ligeiramente maior que o período orbital comum do satélite, que é de 27,322 dias. Essas duas escalas temporais diferentes explicam por que o tempo entre repetições exatas de posições e fases não coincide perfeitamente.
Além desses ciclos dinâmicos, a Lua segue o ciclo de fases visíveis por nós: a lunação média dura cerca de 29,5 dias, do instante da Lua nova até a próxima Lua nova. Nesse ciclo a Lua passa pelas quatro fases principais — nova, crescente, cheia e minguante — com cada fase perdurando aproximadamente sete dias. Existem também as interfases, como quarto crescente, crescente gibosa, minguante gibosa e quarto minguante, que conectam as fases principais.
Hoje a Lua estava na fase crescente — a segunda do ciclo atual — e um novo ciclo lunar está previsto para começar em 10 de outubro. Para quem deseja observar ou fotografar a Lua, é útil lembrar que diferenças de tamanho e brilho entre perigeu e apogeu são pequenas a olho nu; comparar imagens tiradas em perigeu e apogeu ou usar instrumentos ópticos (binóculo ou pequena luneta) pode tornar essas variações mais perceptíveis.
Entender o que aconteceu na órbita lunar transforma um dado técnico em uma oportunidade de observação: saber que a Lua passou pelo apogeu na madrugada de 19/09 permite planejar registros fotográficos, acompanhar como o disco lunar muda ao longo dos dias e apreciar, com perspectiva prática, a dança gravitacional entre Terra, Lua e o resto do Sistema Solar.

Fonte: Olhar Digital
Siga o Ensinando a Vencer e receba nossos conteúdos em primeira mão.






