Polícia Civil paulista deflagrou operação contra instituto ligado a produtora de filme sobre Bolsonaro. Suspeita é de que verbas públicas para internet gratuita foram desviadas.
A Operação WiFi Livre SP foi deflagrada pela Polícia Civil de São Paulo na última segunda-feira, 1º de junho de 2026, visando investigar o Instituto Conhecer Brasil (ICB). A ONG é representada por Karina Ferreira da Gama, sócia da produtora Go Up Entertainment, responsável pelo filme “Dark Horse”, que aborda a vida do ex-presidente Jair Bolsonaro. A operação tem como foco a suspeita de desvios em um contrato de R$ 108 milhões firmado entre o ICB e a Prefeitura de São Paulo.
As investigações apontam que as verbas públicas, que deveriam ser destinadas à instalação de internet sem fio, podem ter sido desviadas para financiar a produção do filme que retrata a eleição de Jair Bolsonaro em 2018. O Termo de Colaboração assinado entre a Secretaria Municipal de Inovação e Tecnologia (SMIT) e o Instituto Conhecer Brasil previa a instalação e manutenção de 5.000 pontos de acesso à internet em comunidades da capital paulista.
As buscas foram realizadas na Secretaria de Inovações e Tecnologia e na sede do Instituto, com autorização da Vara Regional das Garantias da Capital. O objetivo da operação é coletar provas de crimes como fraude em licitação, irregularidades na execução do contrato administrativo e uso indevido de verbas públicas. O inquérito foi originado a partir de um pedido do Ministério Público do Estado de São Paulo.
Conforme as apurações, a ONG não possuía histórico ou capacidade técnica no setor de telecomunicações, tendo atuado previamente apenas em eventos literários e religiosos. Além disso, o valor estipulado por ponto de internet (R$ 1.800) era significativamente superior ao praticado pela Prodam, empresa de tecnologia da Prefeitura, que cobrava R$ 306 pelo mesmo serviço.
Ainda, além das supostas fraudes no contrato de Wi-Fi com a Prefeitura, a Polícia Civil investiga a possibilidade de “desvio de finalidade e confusão patrimonial” para lavagem de dinheiro envolvendo Karina e a empresa Go Up Entertainment. A responsável pela ONG recebeu R$ 1 milhão de uma emenda parlamentar do deputado federal Mário Frias.
A Prefeitura de São Paulo negou que o longa-metragem sobre Jair Bolsonaro tenha recebido recursos municipais. Em nota, a administração municipal expressou seu repúdio a qualquer ilação de desvios de recursos públicos, afirmando que o contrato com o Instituto Conhecer Brasil foi conduzido com rigor nos princípios da legalidade, transparência e economicidade.
As investigações também revelaram faturas irregulares emitidas pela empresa Make Onde Tecnologia Digital Ltda, totalizando R$ 8,5 milhões, sem a emissão das respectivas notas fiscais ou o recolhimento tributário. As faturas apresentavam numeração sequencial e a mesma data de emissão e vencimento, levantando suspeitas de montagem para justificar saídas ilícitas de recursos financeiros.
A Make One foi uma das empresas contratadas pelo ICB para a execução dos 5 mil pontos de Wi-Fi e também foi alvo das buscas. Além dela, outras empresas estão sendo investigadas por supostas irregularidades em notas fiscais e prestação de contas apresentadas à Prefeitura, incluindo a Complexys Soluções Integradas e a JR Feijão Ltda.
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