Após anos aguardando licença, a Petrobras identificou sinais de hidrocarbonetos no bloco FZA-M-59, a 175 km da costa do Amapá. A perfuração alcançou 2.886 m, reforçando a aposta na Margem Equatorial.
A Petrobras anunciou que, após anos de espera para obter a licença de perfuração, encontrou indícios de hidrocarbonetos no bloco FZA-M-59, localizado na Bacia da Foz do Amazonas, em águas profundas do Amapá. Esta descoberta representa um marco significativo para a empresa, sinalizando a presença de petróleo ou gás natural na região.
O poço, denominado Morpho (1-BRSA-1405-APS), está situado a aproximadamente 175 quilômetros da costa do Amapá e a uma profundidade de 2.886 metros. Com essa descoberta, a Margem Equatorial se reafirma como uma das principais apostas da Petrobras para expandir suas fronteiras exploratórias, apesar das controvérsias ambientais que a cercam.
A Margem Equatorial abrange uma área marítima que se estende da Guiana ao Rio Grande do Norte e possui um grande potencial petrolífero. Países vizinhos como Guiana e Suriname já revelaram grandes reservas de petróleo, aumentando as expectativas de que o Brasil também possua depósitos significativos nessa região.
Se as projeções da EPE (Empresa de Pesquisa Energética) forem confirmadas, a descoberta na Bacia da Foz do Amazonas poderá expandir as reservas provadas do Brasil em mais de 50%. Esta bacia é uma das cinco que compõem a Margem Equatorial, e atualmente apenas a Bacia Potiguar está em fase de exploração.
A Bacia da Foz do Amazonas foi licitada em 2013, durante a 11ª Rodada de Licitações, e a Petrobras assumiu o bloco integralmente em 2020, após adquirir a participação da BP, que se retirou do projeto devido à dificuldade de obter a licença ambiental. A licença do Ibama foi concedida somente após a Petrobras atender diversas exigências, incluindo a construção de centros de reabilitação e despetrolização de fauna.
A perfuração do poço Morpho começou no dia em que a Petrobras recebeu o aval do Ibama, em 20 de outubro de 2025. Durante essa fase, a empresa instalou tubos de aço até o fundo do oceano e, em seguida, utilizou brocas para perfurar as rochas até atingir a profundidade desejada.
As etapas de exploração de petróleo incluem a fase sísmica, que envolve estudos detalhados da região, seguidos pela exploração propriamente dita, onde se utiliza brocas para perfurar poços. Caso essas etapas indiquem a viabilidade econômica da extração, a Petrobras terá que apresentar um plano de desenvolvimento à ANP e ao Ibama, além de estruturar a produção com plataformas e sistemas submarinos.
Se as estimativas da EPE se confirmarem, a Bacia da Foz do Amazonas poderá colocar o Brasil entre os quatro maiores produtores de petróleo do mundo até 2030, com uma produção diária de 5 milhões de barris. Essa nova fronteira petrolífera representa uma oportunidade histórica para o país, similar às descobertas nas bacias de Campos e no pré-sal.



Fonte: InfoMoney – Mercado
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