Investigadores avaliam que propostas não trazem elementos novos ao caso. PF e PGR já sinalizaram aos advogados que o material apresentado carece de consistência.
A Polícia Federal (PF) está se preparando para rejeitar três acordos de delação premiada que estão em negociação no âmbito das investigações sobre desvios de aposentadorias do Instituto Nacional do Seguro Social (INSS). Os investigadores estão avaliando que as propostas apresentadas até o momento não trazem provas novas que possam contribuir para o caso.
De acordo com informações, integrantes da PF e da Procuradoria-Geral da República (PGR) já sinalizaram aos advogados de defesa que o material apresentado carece de consistência. Embora as tratativas ainda não tenham sido formalmente encerradas, o processo está paralisado, aguardando novas diretrizes.
Um dos acordos em questão é o do empresário Maurício Camisotti. Essa negociação, que se encontrava em um estágio avançado, precisou ser reiniciada por exigência da PGR. O órgão informou ao ministro do Supremo Tribunal Federal (STF), André Mendonça, que o texto apresentava lacunas e que a PF não poderia assiná-lo de maneira unilateral.
“Os depoimentos não avançaram além do que a apuração já havia descoberto”, afirmaram os investigadores.
Os investigadores revelaram que Camisotti indicou apenas contas em que os recursos desviados poderiam estar, mas não demonstrou ter os valores para devolver de forma efetiva. Para a PF, isso evidencia que o empresário não se comprometeu a entregar bens concretos.
Diante desse cenário, a PF recuou do acordo que havia assinado inicialmente, quando o caso tramitava na Divisão de Repressão a Crimes Previdenciários. Essa mudança ocorre em um momento de reestruturação interna na corporação, que transferiu o inquérito da Operação Sem Desconto para a Coordenação de Inquéritos nos Tribunais Superiores, setor que assumiu a condução dos acordos de delação premiada.
A paralisação gerou um pedido de explicações por parte do ministro André Mendonça, que buscou apurar se houve alguma interferência indevida no caso. Em resposta ao STF, a PF declarou que o remanejamento garantiu maior estrutura para a tramitação e assegurou a manutenção dos delegados originais na condução dos inquéritos.
Além de Camisotti, a PF e a PGR também não demonstram interesse nas tratativas de outros dois investigados: o ex-procurador do INSS Virgílio Antônio Ribeiro e o ex-diretor de Benefícios André Fidélis. Ambos mencionaram supostos repasses de propina a políticos, no entanto, os investigadores avaliam que as declarações não apresentam provas que possam corroborar essas informações. Os três investigados permanecem presos desde o final do ano passado.
A prioridade atual da Polícia Federal é finalizar e entregar ao STF os primeiros inquéritos do caso, que começou a ser investigado em abril de 2025. Uma das frentes mais adiantadas está focada em descontos ilegais em aposentadorias associados à Confederação Nacional dos Agricultores Familiares e Empreendedores Rurais, além do suposto direcionamento de propinas para agentes políticos.
A PF também informou ao STF que ainda precisa concluir a perícia em cerca de 50 celulares apreendidos, além de estar trabalhando na extração de dados de outros 50 aparelhos, o que pode abrir novas linhas de investigação nos próximos meses.
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