O ex-governador Romeu Zema tem 15 dias para se defender de ação movida por Gilmar Mendes. A série 'Os Intocáveis', publicada nas redes sociais, está no centro da disputa judicial.
Na última segunda-feira, 1º de junho de 2026, o ex-governador de Minas Gerais, Romeu Zema, do partido Novo, recebeu uma notificação para se manifestar em uma ação de suposta calúnia movida pelo ministro do Supremo Tribunal Federal (STF), Gilmar Mendes. Essa decisão foi proferida pelo ministro Luis Felipe Salomão, do Superior Tribunal de Justiça, que estabeleceu um prazo de 15 dias para que Zema apresente sua defesa.
O processo é fruto de uma série de vídeos intitulada “Os Intocáveis”, que Zema publicou em suas redes sociais. A Procuradoria-Geral da República (PGR) alega que o ex-governador fez associações entre Gilmar Mendes e outros ministros do STF com o banqueiro Daniel Vorcaro, além de um escândalo relacionado ao Banco Master.
A denúncia sustenta que as publicações ultrapassaram os limites da crítica institucional, sugerindo que Gilmar Mendes teria utilizado sua função pública para atender a interesses privados. Para a PGR, tal conteúdo comprometeu a honra e a reputação funcional do ministro.
“Os intocáveis não aceitam críticas nem humor”, afirmou Zema em nota, deixando claro que não pretende recuar diante da ação judicial.
O vídeo que gerou a ação foi publicado em abril de 2026 e utiliza inteligência artificial para criar representações de personagens, incluindo um fantoche que representa o ministro Gilmar Mendes. Na gravação, um personagem que representa o ministro Dias Toffoli pede a suspensão de uma decisão da CPI do Crime Organizado, e o fantoche de Gilmar Mendes concorda com o pedido, fazendo alusão a um resort, o Tayayá Resort, localizado no Paraná, do qual Toffoli e seus irmãos são sócios e que negociou cotas com um fundo vinculado a Daniel Vorcaro.
Após a divulgação desse vídeo, Gilmar Mendes apresentou uma notícia-crime ao ministro Alexandre de Moraes e solicitou a inclusão de Zema no Inquérito das Fake News. Em resposta, o ex-governador intensificou suas críticas ao STF, utilizando fantoches para representar Gilmar Mendes e Alexandre de Moraes, acusando a Corte de censura aos seus adversários. A reforma do Judiciário se tornou uma das principais bandeiras de sua pré-campanha à Presidência da República.

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