Donald Trump abriu investigação contra Lisa Cook semanas antes das eleições para o Congresso. Ele formou um comitê e ordenou audiência presencial para apurar alegações sobre declarações em pedidos de hipoteca.
O presidente dos EUA, Donald Trump, iniciou uma nova investigação contra a diretora do Federal Reserve, Lisa Cook, semanas antes das eleições para o Congresso, convocando um comitê investigativo e ordenando uma audiência presencial na Casa Branca para examinar alegações sobre declarações em pedidos de empréstimos hipotecários.
A movimentação amplia a pressão sobre a autoridade monetária e mantém em evidência um conflito que já vinha se desenrolando há mais de um ano, enquanto Trump busca maior influência sobre o banco central diante de divergências sobre a condução das taxas de juros.
“Como presidente, é minha função garantir que as leis sejam fielmente cumpridas, inclusive demitindo subordinados em quem não se pode confiar para dizer a verdade e seguir a lei”
O comunicado do presidente, datado de 7 de outubro, também detalhava a criação de um comitê que avaliará as alegações e fará uma recomendação sobre se existe “motivo” para a destituição de Cook.
“Para me auxiliar no cumprimento dessa responsabilidade, o comitê investigará as alegações contra a diretora Cook e me informará se há ‘motivo’ para a destituição da diretora Cook”
O memorando presidencial informou que o comitê realizará uma audiência presencial e fechada de quatro horas na Casa Branca em 5 de novembro “para analisar as provas e as alegações contra a diretora Cook”. A audiência ocorrerá dois dias após as eleições que definirão o controle da Câmara e do Senado, corpos responsáveis por confirmar indicados presidenciais ao Fed.
Os advogados de Cook, Abbe Lowell e Norm Eisen, afirmaram que uma audiência justa demonstraria que não há fundamento legal para a demissão. Em comunicado, eles disseram que, se a audiência for objetiva, a conclusão será que Cook não cometeu fraude hipotecária e não há motivo para destituí-la da diretoria do Federal Reserve.
“Se a audiência for de alguma forma objetiva, a conclusão será de que a diretora Cook não cometeu fraude hipotecária, não havendo motivo para destituí-la da Diretoria do Federal Reserve”
“A diretora Cook acolhe com satisfação a oportunidade de apresentar os fatos para que possa limpar seu nome e demonstrar que não há base legal para demiti-la.”
A composição do comitê inclui o principal assessor econômico do presidente, Kevin Hassett; a presidente da Comissão de Oportunidades Iguais de Emprego, Andrea Lucas; e o diretor interino do Escritório de Ética Governamental, Keith Sonderling. O memorando prevê que esses membros, seus representantes ou funcionários do Departamento de Justiça interrogarão Cook por “não mais do que quatro horas” e entregarão uma recomendação ao presidente “assim que for possível”, após o prazo de 10 de novembro para declaração pós-audiência de Cook.
“Trump parece acreditar que a razão pela qual o Fed adotou uma postura mais restritiva é porque o chair por ele escolhido, Warsh, está cercado por uma Diretoria do Fed hawkish (agressiva com a inflação) e politicamente hostil”
O processo contra Cook já passou pela Suprema Corte neste ano, que determinou que o presidente não poderia demitir um diretor do Fed à sua vontade, exigindo um processo claro que estabelecesse uma “causa” para a demissão e permitisse defesa. A decisão manteve Cook no cargo e remeteu o caso a um tribunal federal de primeira instância, onde a juíza Kia Cobb estabeleceu o prazo de 6 de novembro para apresentação de um plano conjunto sobre o andamento do processo.
Cook foi nomeada para a diretoria do Fed em 2022 e renomeada em 2023 para um mandato até 2038. A iniciativa presidencial e a audiência marcada elevam questões sobre a independência do banco central e seus mecanismos de governança — pontos que acompanharão desdobramentos práticos nas próximas semanas.


Fonte: InfoMoney – Mercado
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