No último dia 30 de maio de 2026, o Laboratório de Nanobiotecnologia (LNANO) da Embrapa Recursos Genéticos e Biotecnologia, localizado em Brasília, anunciou uma inovação impressionante: a criação de amostras de alimentos impressos em 3D à base de plantas que imitam o sabor e a textura do filé de salmão, caviar e anéis de lula.
Após 30 meses de pesquisa, os protótipos desenvolvidos não apenas replicam a forma desses alimentos, mas também apresentam características nutricionais comparáveis às de suas versões animais. A bióloga Cínthia Caetano Bonatto, pesquisadora do LNANO, explica que o objetivo foi avaliar o teor nutricional da carne animal, buscando alternativas vegetais que oferecessem uma composição similar em termos de carboidratos, lipídeos e proteínas.
As amostras foram criadas utilizando tintas alimentícias que combinam proteínas vegetais, farinhas de leguminosas, óleos vegetais e de algas, além de nanoingredientes e corantes naturais. Cínthia destaca que a maioria dos ingredientes utilizados são comuns na culinária cotidiana, tornando o processo acessível e familiar.
“Buscamos ingredientes que nos trazem a mesma quantidade em percentual de tecido animal”, afirma Cínthia Bonatto.
Para enriquecer a composição alimentar, os pesquisadores utilizaram recursos do Banco Ativo de Germoplasma da Embrapa, que é um repositório com milhares de amostras de material genético de plantas, microorganismos e animais. Luciano Paulino da Silva, coordenador dos projetos de impressão de alimentos, observa que essa abordagem permite criar produtos vegetais que se assemelham nutricionalmente aos alimentos de origem animal.
“Com essa tecnologia, conseguimos fazer o enriquecimento nutricional dos produtos impressos”, comenta Gabriela Mendes da Rocha Vaz, biotecnóloga do LNANO.
A proposta é inovadora e pode contribuir significativamente para o combate à fome e à subnutrição, além de oferecer uma alternativa que evita a pesca predatória e o sofrimento animal. A impressão de alimentos também pode ser uma solução para pessoas que têm restrições alimentares, como aquelas que optam por não consumir carne.
Os alimentos impressos já foram degustados em um ambiente controlado, com a devida aprovação ética, embora ainda não haja uma data definida para o lançamento comercial. A pesquisa conta com o financiamento do Good Food Institute (GFI), que apoia iniciativas de alimentos à base de plantas e carne cultivada em laboratório.
O futuro comercial desses produtos dependerá de modelos de negócios que podem incluir a impressão em impressoras domésticas ou produção em larga escala. Enquanto isso, outros países como Austrália, Estados Unidos, Israel e Singapura já comercializam alimentos impressos, e no Brasil, iniciativas semelhantes estão sendo desenvolvidas em parceria com instituições renomadas como a Universidade Estadual Paulista (Unesp) e a Universidade Harvard.

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