No banco dos réus, Jairinho admitiu chacoalhar Henry Borel, de 4 anos, mas insistiu que eram apenas brincadeiras. O ex-vereador respondeu só às perguntas da defesa durante julgamento no Tribunal do Júri.
O ex-vereador Jairo Souza Santos Júnior, conhecido como Jairinho, prestou depoimento no Tribunal do Júri no dia 2 de junho de 2026. Durante o interrogatório, ele admitiu que costumava brincar de dar ‘bandas’ em Henry Borel, seu enteado de apenas 4 anos, que faleceu em março de 2021. Apesar de reconhecer essa prática, Jairinho negou qualquer tipo de agressão ou tortura contra a criança.
Monique Medeiros, mãe de Henry e também ré no processo, deixou o plenário durante o depoimento. Jairinho respondeu apenas às perguntas formuladas por seus advogados, afirmando que a brincadeira era conhecida por familiares e pela própria mãe. ‘Eu já brinquei de dar banda no Henry, sim’, declarou. Ele explicou que a atividade envolvia segurar a criança e passar a perna por baixo, destacando que essa interação era vista por Monique e outros familiares.
O depoimento ocorreu no nono dia do julgamento, momento em que testemunhas relataram que Henry mencionava a prática de ‘bandas’ e ‘mocas’ associadas ao ex-padrasto. Emocionado, Jairinho negou veementemente as acusações, afirmando: ‘A coisa que eu mais queria no mundo era que o Henry estivesse aqui com a gente’. Ele expressou seu desejo de que o menino pudesse voltar, questionando como poderia fazer mal a ele.
Além disso, Jairinho contestou relatos de violência feitos por ex-companheiras, classificando as afirmações como especulações infundadas. ‘Não tem relato de que eu tenha dado sequer um peteleco nelas’, alegou, referindo-se às acusações de Natasha Machado e Débora Mello Saraiva sobre agressões contra seus filhos.
No depoimento, o ex-vereador expressou sua indignação com a denúncia do Ministério Público, que o acusa de homicídio triplamente qualificado, tortura e coação no curso do processo. Ele afirmou: ‘Eu estou indignado com esse negócio de tortura de criança. É uma coisa que não é possível de acontecer. Eu não fiz isso, eu não fiz isso com Henry’. Jairinho enfatizou que sua vida foi destruída por acusações que considera falsas.
Ele também comentou sobre um boletim de ocorrência registrado por sua ex-mulher, Ana Carolina, admitindo uma discussão por traição, mas negando qualquer violência física. Ao encerrar seu depoimento, Jairinho fez um apelo ao Conselho de Sentença, pedindo que levassem em consideração novas provas que, segundo ele, poderiam mudar o rumo do processo. ‘Deus vai abençoar e vai colocar a gente no caminho certo, que é o caminho da verdade.’
O interrogatório marcou o fim da fase de instrução do julgamento, e a partir do dia 3 de junho, acusação e defesa iniciaram os debates finais. O tempo para as sustentações orais foi ampliado devido à presença de dois réus, e ao final, os sete jurados decidirão sobre a autoria e a materialidade dos crimes, seguido da leitura da sentença pela juíza Elizabeth Machado Louro.
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