O presidente do Partido Liberal (PL), Valdemar Costa Neto, criticou nesta quinta-feira, 9, a atuação da Polícia Federal (PF) nas operações que tiveram como alvos os senadores Ciro Nogueira (PP-PI) e Jaques Wagner (PT-BA). Ambos estão sendo investigados no âmbito da Operação Compliance Zero, que investiga um esquema de fraudes financeiras ligado ao Banco Master.
Durante uma coletiva de imprensa que se seguiu a um encontro com frentes parlamentares, Valdemar descreveu as medidas adotadas contra os parlamentares como “exageradas”. Ele mencionou que, ao invés de ações policiais, ambos poderiam ter sido convocados para prestar esclarecimentos sem a necessidade de operações.
“Exageraram muito na história do Ciro. O Ciro é presidente de um grande partido. Eles podiam ter ouvido o Ciro sem fazer um carnaval”, afirmou o dirigente.
Além disso, Valdemar comentou sobre Jaques Wagner, afirmando que, como líder do governo e senador, ele também poderia ter sido convidado para depor ao invés de ser alvo de uma operação policial.
A Operação Compliance Zero investiga alegações de irregularidades associadas ao Banco Master. A primeira fase da operação, que foi iniciada em novembro do ano passado, resultou na prisão do banqueiro Daniel Vorcaro.
Em maio deste ano, Ciro Nogueira tornou-se alvo da PF. As investigações sugerem que ele teria atuado em benefício de Vorcaro em troca de vantagens indevidas, incluindo uma suposta mesada de R$ 300 mil, além de hospedagens no exterior e despesas em restaurantes de luxo.
Jaques Wagner passou a ser investigado no mês passado. A PF está apurando a suspeita de que o senador petista teria recebido um apartamento de luxo em Salvador como forma de pagamento de propina.
O nome do parlamentar já havia surgido nas investigações anteriormente, após a revelação de que sua nora teria recebido pelo menos R$ 11 milhões do Banco Master.
No decorrer da entrevista, Valdemar também falou sobre as implicações políticas da investigação que envolve Ciro Nogueira. Segundo ele, o presidente do PP não teria ficado satisfeito com a forma como o senador Flávio Bolsonaro (PL), pré-candidato à Presidência da República, reagiu às acusações contra o dirigente progressista.
Apesar da situação, o presidente do PL reafirmou sua intenção de formar uma ampla aliança com partidos do centrão em apoio à candidatura de Flávio Bolsonaro em 2026. Valdemar expressou confiança de que partidos como PP, União Brasil e Republicanos se juntariam a essa coalizão.
“Todo esse pessoal vem com a gente. Eu não tenho dúvida disso. PP, União Brasil. Republicanos tem uma reunião hoje à tarde, tem outra reunião hoje à tarde com Podemos. Esse pessoal vem todo com a gente”, declarou.
A pré-candidatura de Flávio também enfrentou desafios internos no PL devido à divulgação de mensagens que indicam um contato entre o senador e Daniel Vorcaro, onde Flávio solicitava recursos para o patrocínio do filme Dark Horse, que é uma homenagem ao ex-presidente Jair Bolsonaro.



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