O Japão vai acompanhar o iene diante do risco de aceleração da inflação. A ministra Satsuki Katayama disse que intervenções cambiais foram coordenadas com os EUA para preservar a estabilidade.
Autoridades financeiras do Japão se comprometeram a monitorar de perto o iene, ressaltando que a estabilidade do mercado cambial será crucial tanto para a inflação doméstica quanto para a economia global. A ministra das Finanças, Satsuki Katayama, afirmou que a intervenção cambial coordenada terá papel importante na sustentação dessa estabilidade.
“ajuda a sustentar a estabilidade dos mercados e das economias globais”
Katayama disse ter explicado as ações do governo japonês no mercado de câmbio em reunião do G20, indicando que essas operações foram realizadas em coordenação com os EUA e que nenhum dos chefes financeiros globais manifestou discordância. A ênfase na coordenação internacional reflete a preocupação em evitar movimentos abruptos nas taxas de câmbio que possam repercutir em inflação e volatilidade nos mercados.
O presidente do Banco do Japão (BoJ), Kazuo Ueda, destacou que os indicadores econômicos recentes estão alinhados com as projeções do banco central e reiterou a disposição de considerar novos aumentos nas taxas de juros com base nas condições econômicas, de preços e financeiras.
“Os movimentos cambiais são um fator de risco de alta que exige atenção rigorosa”
O rendimento do título japonês de dez anos tocou 3% pela primeira vez em trinta anos, movimento que acompanhou a direção das curvas de juros americana, britânica e alemã. Esse avanço nos juros de longo prazo aumenta o foco das autoridades sobre os possíveis impactos no custo de financiamento e na dinâmica de preços.
Um iene fraco representa uma ameaça concreta de acelerar a inflação no Japão, dada a forte dependência do país em relação às importações de energia e alimentos. Por isso, integrantes do BoJ têm manifestado preocupação crescente com a possibilidade de a inflação subjacente superar a meta de 2% do banco central.
Um membro do conselho de política monetária do BoJ, Hajime Takata, defendeu uma abordagem flexível para os aumentos das taxas de juros, afirmando que a meta de inflação foi praticamente atingida e que o risco de superaquecimento dos preços está aumentando. Em um discurso para líderes empresariais nesta quarta-feira, 2, ele disse que este ano representa uma mudança de postura na condução da política monetária.
“mudança de regime”
“conduzidos de maneira ágil e dependente de dados, em resposta ao ambiente econômico e de preços doméstico, refletindo particularmente as tendências externas”
Takata, apontado como um dos membros mais favoráveis a uma política monetária mais restritiva, propôs elevar a taxa básica para 1,25% na reunião de julho; a proposta foi rejeitada por 8 votos a 1, mantendo a taxa em 1%, nível em vigor desde junho.
“Com a inflação subjacente aproximando-se da meta de 2% do banco central, a instituição precisa levar a taxa básica para um nível que não seja nem estimulante nem restritivo para a economia, a fim de evitar efeitos de segunda ordem na alta dos preços”
O cenário exige atenção dos investidores, empresas e gestores públicos: a combinação de iene fraco, elevação de rendimentos e sinais de inflação mais persistente sinaliza que decisões de política monetária e intervenções cambiais permanecerão no centro das atenções nos próximos meses. Para agentes econômicos e cidadãos, isso significa monitorar movimentos de câmbio e dados de preços, mantendo planos e expectativas alinhados à possibilidade de maior volatilidade e ajustes nas taxas de juros.


Fonte: InfoMoney – Mercado
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