O hotel convertido do antigo Hilton Garden Inn Rebouças registra 70% de ocupação poucos meses após a abertura. A Accor informa que a diária média subiu ao menos 20%.
Pinheiros é a mais recente aposta da Accor no segmento hoteleiro premium em São Paulo. Instalado no imóvel que operava como Hilton Garden Inn Rebouças, o Grand Mercure São Paulo Pinheiros alcançou ocupação de 70% poucos meses após sua abertura e, segundo cálculos divulgados, já pratica diárias pelo menos 20% superiores às cobradas antes da conversão do empreendimento.
Em entrevista, Abel Castro, Chief Development Officer (CDO) da Accor Américas, afirmou que o hotel, inaugurado oficialmente na quinta-feira (3), reúne os três pilares da estratégia de crescimento da companhia: franquias, conversão de ativos existentes e expansão de marcas premium.
“O Grand Mercure representa esses três eixos: é uma franquia, uma conversão e carrega uma marca premium”.
O empreendimento conta com 170 apartamentos, restaurante, bar e academia, além de integrar um complexo de uso misto na Avenida Rebouças. O imóvel pertence atualmente à gestora CVPAR Capital, que firmou acordo para adquiri-lo da HBR Realty por R$ 110 milhões. A operação está sob responsabilidade da Atrio Hotel Management.
O empreendimento encerrou agosto, seu segundo mês sob a bandeira Grand Mercure, com ocupação média de 70%, repetindo o desempenho registrado em julho. A diária média atualmente supera R$ 800, sem café da manhã incluso. Antes da conversão, o Hilton Garden Inn operava com diárias na faixa de R$ 650, segundo informações divulgadas pela antiga administradora. A mudança para a bandeira Grand Mercure representa, portanto, um aumento superior a 20% no preço médio das hospedagens.
“A gente não consegue aumentar a diária com o mesmo produto. Se era R$ 500, o cliente pagava R$ 500. Não é só porque mudou a marca que, no outro dia, ele vai pagar R$ 800. Ele tem que sentir essa mudança”.
Castro explicou que a elevação tarifária esteve associada a um reposicionamento da experiência oferecida, com intervenções em diferentes frentes da operação, incluindo decoração, mobiliário, serviço de alimentação e padrão de atendimento.
“Já mudamos vários detalhes do hotel, como móveis, tapetes e decoração. O Grand Mercure é caracterizado de acordo com o país em que está inserido, seja nos ornamentos, na música ou na gastronomia. Também fizemos um upgrade do café da manhã e estamos elevando bastante o nível de serviço”.
O executivo também destacou que a conversão foi particularmente bem-sucedida em comparação ao padrão do mercado, quando a troca de bandeira costuma gerar perda temporária de demanda.
“Quando fazemos uma conversão, normalmente a ocupação cai porque a rede anterior tende a direcionar seus clientes para outros hotéis do próprio sistema. No caso do Grand Mercure, o segundo mês já repetiu os 70% de ocupação. Em geral, trabalhamos com um ramp-up de 30%, depois 50%, para só atingir 70% no terceiro ou quarto mês. Desta vez, foi mais rápido”.
Na avaliação da Accor, a escolha por Pinheiros reflete apostas na transformação urbana do bairro e na experiência de destino. Castro comparou a dinâmica local à de bairros internacionais conhecidos por combinar moradia, escritórios, comércio e gastronomia.
“Para nós, Pinheiros representa o SoHo de Nova York, com um enorme desenvolvimento de residências, escritórios e outras estruturas”.
A mudança de nomenclatura para Grand Mercure São Paulo Pinheiros acompanhou a estratégia de frisar a relação com o entorno e com uma demanda mais diversificada: executivos durante a semana e turistas de lazer nos fins de semana.
“Durante a semana, o hotel tem uma vocação muito mais corporativa. Já nos fins de semana, trabalhamos o lazer. Recebemos famílias que vêm para shows, formaturas, casamentos ou outros eventos na cidade”.
Com a inauguração do Grand Mercure São Paulo Pinheiros, a companhia passa a operar 12 hotéis premium no Brasil — sendo oito da bandeira Grand Mercure, três Pullman e o Hotel Jequitimar Guarujá Resort & Spa by Accor. A rede soma mais de 320 hotéis no país e mantém um pipeline de cerca de 60 empreendimentos com contratos assinados, incluindo o futuro Faena São Paulo, previsto para 2029 no próprio bairro de Pinheiros. O movimento integra uma estratégia de fortalecimento da presença no segmento premium aliada à valorização de bairros com oferta variada de serviços e entretenimento.

Fonte: InfoMoney – Mercado
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