Relatório de 24/09/2026 aponta que o modelo de tesouraria cripto perdeu boa parte da vantagem após a queda dos prêmios acionários. Entre as 20 maiores DATs, apenas quatro eram negociadas acima de mNAV 1.
Um relatório divulgado em 24 de setembro de 2026 mostrou que o modelo de tesouraria cripto, que por anos permitiu a algumas empresas ampliar posições em ativos digitais sem diluir acionistas, perdeu grande parte de sua vantagem inicial. A maioria das empresas de tesouraria de ativos digitais (DATs) já não chegava mais aos prêmios que facilitavam captações em ações para comprar mais cripto.
O levantamento constatou que apenas quatro das 20 maiores DATs por ativos sob gestão eram negociadas acima de um mNAV de 1, ou seja, com valor de mercado superior ao valor das suas reservas de cripto: Bit Digital, Strive, Hyperliquid Strategies e BitMine. Descontos generalizados indicaram que investidores deixaram de pagar o mesmo prêmio pela exposição a cripto via empresas de capital aberto.
Segundo o relatório, o prêmio pago pelas ações de DATs alcançou seu ápice quando a estratégia era novidade e atraía forte atenção. O modelo de tesouraria de Bitcoin, iniciado por Michael Saylor na Strategy em 2020, foi citado como marco dessa tendência. Ainda assim, a DWF observou que, mesmo quando algumas ações de DATs superaram o desempenho de manter o ativo subjacente, a vantagem costumou ser pequena.
O documento também registrou movimentos corporativos que ilustraram o momento: a empresa francesa de semicondutores Sequans Communications havia vendido seus 314 BTC restantes, concluindo uma saída que se iniciou com o resgate de sua dívida conversível em maio, e deixou de manter qualquer criptomoeda em seu balanço patrimonial.
O relatório apareceu em um contexto de advertências anteriores sobre o tema. Em setembro de 2025, havia alertas de que um eventual “colapso do mNAV” poderia provocar consolidação entre empresas de tesouraria. Instituições financeiras e players do setor haviam destacado que o modelo depende fundamentalmente de um prêmio persistente das ações em relação ao NAV: sem ele, captar via emissão de ações para comprar mais cripto podia se tornar dilutivo e comprometer o mecanismo de financiamento.
“Se o prêmio desabar — ou, pior, se transformar em um desconto —, o modelo começa a ruir”.
O relatório também contextualizou a volatilidade recente do mercado: o Bitcoin chegou a superar US$ 126.000 em outubro do ano anterior, caiu para abaixo de US$ 60.000 e depois se recuperou para níveis na casa de US$ 86.000. Na data do relatório, cotações reportadas incluíam BTC em US$ 84.514,27 e ETH em US$ 2.698,64, além de outros ativos como TRX a US$ 0,3407, LINK a US$ 13,20, ZEC a US$ 1.562,56, ADA a US$ 0,2477, XRP a US$ 1,52, XMR a US$ 548,68, BNB a US$ 779,82, XLM a US$ 0,2126, SOL a US$ 117,45 e HYPE a US$ 94,38.
Para empresas e investidores, as conclusões sugeriram a necessidade de revisar modelos de financiamento que dependem de prêmios acionários persistentes. Com descontos generalizados, a rota de emissão de ações para aquisição de cripto mostrou-se menos eficiente e potencialmente dilutiva, exigindo alternativas ou ajustes estratégicos nas tesourarias corporativas.
Autoria: Sam Bourgi. Revisão: Robert Lakin. Publicado em 24/09/2026.
Fonte: Cointelegraph Brasil
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