Os preços recuaram, com Brent a US$98,27 (-2,04%) e WTI a US$87,90 (-1,7%). A queda reflete exportações do Oriente Médio mais firmes, mas ataques na região ainda mantêm incertezas sobre o abastecimento.
Os preços do petróleo caíram nesta terça-feira, pressionados pela percepção de menor risco sobre a oferta, enquanto fluxos de exportação do Oriente Médio se mostraram mais resilientes do que o mercado vinha temendo. Apesar do recuo, o quadro continua sensível devido a ataques na região que ainda mantêm incertezas sobre o abastecimento.
Os contratos futuros do petróleo Brent recuavam 2,04%, para US$ 98,27 por barril, às 12h17 (horário de Brasília). Os futuros do West Texas Intermediate (WTI) também caíam, 1,7%, para US$ 87,90 por barril, no mesmo horário. Esses movimentos refletiram tanto a leitura de que parte da pressão de oferta diminuiu quanto decisões de governos sobre estoques estratégicos.
“O petróleo apresenta pouca variação após a queda de ontem, enquanto os traders continuam avaliando uma moderada redução da ansiedade em relação à oferta”, disse Tim Waterer, analista-chefe da KCM Trade.
“O aumento dos números de exportação da Arábia Saudita e a decisão do G7 de liberar reservas estratégicas estão ajudando a limitar os preços por enquanto, mesmo com o Brent permanecendo próximo ao nível de US$ 100 por barril”, acrescentou.
Dados de transporte marítimo divulgados na segunda-feira mostraram que as exportações de petróleo bruto do Oriente Médio superaram os níveis registrados antes da guerra em quatro dias da última semana de setembro, sinalizando resiliência nos fluxos regionais apesar dos ataques a navios que transitam pelo Estreito de Ormuz. Esses dados ajudaram a aliviar, em parte, as preocupações sobre restrições imediatas no fornecimento.
Reforçando o alívio, os países do G7 concordaram na sexta-feira em liberar 100 milhões de barris de diesel e petróleo bruto de reservas emergenciais e se comprometeram a evitar restrições às exportações de energia, após pressão do presidente dos Estados Unidos, Donald Trump. Essa medida forneceu um suporte adicional para evitar uma escalada mais acentuada dos preços no curto prazo.
No entanto, o conflito entre a Arábia Saudita e os houthis do Iêmen, apoiados pelo Irã, continuou a alimentar temores de possíveis interrupções no fornecimento do maior exportador da região, especialmente diante do impasse nas negociações entre Estados Unidos e Irã. Os houthis afirmaram na segunda-feira ter realizado ataques contra diversos locais na Arábia Saudita, incluindo o Aeroporto Internacional King Khalid, em Riad, uma refinaria da Aramco em Rabigh e o aeroporto de Abha. Não houve confirmação imediata por parte das autoridades sauditas.
Analistas destacaram que, sem um avanço diplomático claro ou uma melhora material adicional na eficiência das exportações, o piso para os preços do petróleo deve permanecer relativamente sólido, deixando os mercados atentos a novos dados de fluxo e a sinais políticos que possam alterar a percepção de risco.
Para investidores e observadores do mercado, a mensagem prática foi de vigilância: embora a oferta tenha demonstrado resistência, eventos geopolíticos na região continuam capazes de provocar oscilações rápidas nos preços.

Fonte: InfoMoney – Mercado
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