A educação é uma ferramenta poderosa que molda a maneira como as futuras gerações percebem o mundo. No entanto, o currículo escolar da Jordânia tem sido criticado por perpetuar narrativas de antissemitismo e discriminação, mesmo após a introdução de 32 novos livros didáticos para o ano letivo de 2025-2026. Um relatório da IMPACT-se, organização baseada em Londres, analisou 125 materiais escolares e revelou a continuidade de conteúdos problemáticos que contradizem os princípios de tolerância e educação para a paz propostos pela Unesco.
Os novos livros, apesar de enfatizarem conceitos de moderação religiosa, falham em incluir judeus e Israel de maneira positiva. Na verdade, a representação dos judeus é quase sempre negativa, especialmente nos capítulos dedicados à história islâmica, onde traços como mentira e traição são erroneamente atribuídos a eles. Essa abordagem não só distorce a realidade, mas também contribui para a perpetuação de estereótipos prejudiciais.
“Os judeus aparecem vinculados à exploração econômica e a práticas desonestas, reforçando associações perigosas que apenas alimentam o ciclo de ódio.”
Nos materiais para o sexto ano, a vida de Maomé é usada para associar figuras judaicas a comportamentos hostis. As implicações são claras: a educação não deve ser um meio de disseminar preconceitos, mas sim de promover compreensão e respeito mútuo.
O currículo do último ano do ensino médio também apresenta os judeus como responsáveis por manipulações no mercado e exploração econômica, um relato que ecoa as narrativas antissemita do passado. Surpreendentemente, a questão do Holocausto é tratada de maneira superficial, sem a devida profundidade e respeito que um evento tão trágico demanda.
A forma como Israel é retratado nos livros didáticos é igualmente alarmante. O país é sistematicamente excluído dos mapas, enquanto áreas reconhecidas internacionalmente como parte de Israel são designadas como “Palestina”. Essa representação distorcida não só ignora a realidade geopolítica, mas também promove uma visão de conflito que pode incitar mais violência.
“A relação diplomática entre Jordânia e Israel é apresentada como uma manobra para conter ambições expansionistas, em vez de um passo positivo em direção à paz.”
Além disso, o currículo glorifica a violência e a jihad, com livros que comparam a morte em combate a celebrações de casamento. Tal narrativa não apenas glorifica a guerra, mas também ensina que o martírio é um desejo a ser alcançado, o que é profundamente preocupante.
Apesar das críticas, há alguns avanços a serem reconhecidos. O respeito pelas tradições cristãs e o aumento da representação feminina em posições de liderança são passos positivos. Entretanto, a persistência de conteúdos antissemíticos no sistema educacional da Jordânia levanta questões sérias sobre o futuro da educação e da paz na região.
Como destacou Marcus Sheff, diretor da IMPACT-se, a continuidade de tais narrativas é alarmante, especialmente considerando que a Jordânia é vista como um aliado do Ocidente e mantém um dos acordos de paz mais antigos com Israel. A verdadeira educação deve ser um caminho para a construção de pontes, e não de muros.
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