A recente aprovação da proposta pela Câmara dos Deputados que extingue a escala 6×1 e estabelece dois dias obrigatórios de descanso semanal é um marco significativo para o Brasil. Essa mudança coloca o país em uma posição singular, mesmo quando comparado a economias desenvolvidas, conforme aponta um estudo do economista Daniel Duque, associado ao FGV Ibre e ao Centro de Liderança Pública (CLP).
A Proposta de Emenda à Constituição (PEC), aprovada na quarta-feira, 27 de maio de 2026, reduz a jornada semanal de trabalho de 44 para 40 horas e, essencialmente, promove a adoção da escala 5×2. O próximo passo para a implementação da proposta é sua análise pelo Senado, onde precisará do apoio de pelo menos 49 senadores em dois turnos de votação, antes de ser promulgada pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva.
O estudo de Duque, que examinou a legislação trabalhista de 21 países, revelou que a exigência de dois dias de folga por semana não é a norma predominante, mesmo entre nações que possuem jornadas menores que a do Brasil. Na França, por exemplo, a jornada legal é de 35 horas semanais, mas a distribuição do tempo pode ser feita ao longo de seis dias. Países como Espanha, Holanda e África do Sul também têm limites inferiores sem a imposição de uma escala 5×2.
“O Brasil vai navegar em águas desconhecidas”, afirmou Duque, ressaltando que as regras mais comuns exigem apenas um dia de descanso semanal ou um mínimo de 36 horas consecutivas de folga.
Além disso, o prazo para a adoção dessa nova escala foi mais extenso em outros países. A Argentina, por exemplo, tem uma legislação que permite semanas com apenas um dia sem trabalho, em circunstâncias específicas.
Duque também destaca que essa mudança pode trazer tanto benefícios quanto desafios para trabalhadores e empresas. A ampliação do descanso semanal pode diminuir a flexibilidade na distribuição das horas de trabalho ao longo da semana. Com uma jornada de 40 horas em cinco dias, a média diária seria de oito horas. Em um modelo distribuído em seis dias, a carga diária cairia para cerca de seis horas e 40 minutos.
“As pessoas têm rotinas diferentes, nem todo mundo prefere jornadas de trabalho mais longas e mais dias de folga. Muitas mães precisam buscar os filhos na escola, e a escala 6×1 seria uma oportunidade para sair mais cedo do trabalho”, disse.
O pesquisador ainda observa que países que recentemente alteraram suas jornadas de trabalho estabeleceram períodos de transição mais longos. Colômbia e México, por exemplo, definiram prazos que variam entre dois e cinco anos para a adaptação de empresas e trabalhadores a novas regras.


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