A União Europeia vetou importações de carnes, mel e subprodutos animais brasileiros. A FAESP cobra postura firme da diplomacia após 25 anos de negociações com o Mercosul.
A Federação da Agricultura e Pecuária do Estado de São Paulo (FAESP) manifestou sua indignação em nota, criticando a recente decisão da União Europeia (UE) de vetar a importação de carnes, mel e subprodutos de origem animal do Brasil. No comunicado, a FAESP cobrou “um pulso mais firme” da diplomacia brasileira para enfrentar essa situação. O presidente da entidade, Tirso Meirelles, expressou que a atitude da UE é desrespeitosa, especialmente após 25 anos de negociações entre a União Europeia e o Mercosul, onde tudo parecia ter sido acordado e alinhado.
Meirelles destacou que esta mudança repentina nas regras do jogo é inaceitável. “É um profundo desrespeito que, após tantas negociações, a UE decida mudar as regras de forma arbitrária”, afirmou. A FAESP considera o veto uma “salvaguarda descabida” e aponta que não existem fundamentos técnicos ou científicos que justifiquem a decisão da UE.
Além disso, a entidade ressalta que a medida é discriminatória, uma vez que outros países utilizam os mesmos métodos de manejo e não enfrentam restrições. “O pretexto europeu sobre o uso de antibióticos cai por terra, pois rebanhos de países como Estados Unidos, Austrália e Nova Zelândia também utilizam os mesmos produtos e não sofreram sanções”, destacou Meirelles.
No que diz respeito à sanidade animal, a FAESP reforçou que o rebanho brasileiro é um exemplo no cenário global, ressaltando que “a sanidade animal do rebanho brasileiro é totalmente sem mácula”. Diante da situação, a FAESP fez um apelo ao governo federal para que adote uma postura mais assertiva e não aceite passivamente as retaliações geopolíticas.
“Cobramos um pulso mais firme na diplomacia comercial. O Brasil, como um dos maiores produtores e exportadores de carne do mundo, não pode se submeter a essas imposições infundadas”, declarou. A FAESP também pediu que Argentina e Uruguai unam esforços com o Brasil para apresentar um posicionamento regional sólido, demonstrando a força do Mercosul frente a essa afronta.
Por fim, a nota enfatizou a importância de lembrar a trajetória agropecuária do Brasil, destacando que é fundamental que a diplomacia e os aliados regionais promovam o respeito à soberania conquistada pela agropecuária brasileira, que se consolidou como um dos principais protagonistas da segurança alimentar mundial.
No dia 3 de setembro, a decisão da UE, formalizada por meio do Regulamento de Execução (UE) 2026/1189, se tornará efetiva, vetando a entrada de carnes bovinas, aves, equídeos, mel, tripas e produtos de aquicultura do Brasil. Esta medida segue um alerta emitido pela UE em 12 de maio, onde o Brasil não foi incluído na lista de países que cumpriam as normas contra o uso excessivo de antibióticos na pecuária, enquanto países vizinhos foram autorizados a continuar suas exportações.
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