A esperança de encontrar sobreviventes entre os escombros diminui na Venezuela, neste domingo (28), quatro dias após os terremotos que resultaram em quase 1.500 mortos e dezenas de milhares de desaparecidos. Socorristas, familiares e voluntários continuam incansavelmente a busca por sinais de vida, mais de 90 horas após os dois sismos que atingiram o país na quarta-feira (24), em meio a uma grave crise política e econômica.
Um socorrista salvadorenho, que pediu para não ser identificado, compartilhou sua perspectiva:
“O padrão é que as pessoas não estejam mais vivas, mas, graças a Deus, ainda podemos encontrar pessoas com sinais vitais.”
Na noite de sábado (27), um menino de 11 anos foi resgatado com vida entre os escombros em Caraballeda. A presidente interina, Delcy Rodríguez, destacou a importância de cada vida resgatada:
“Foi resgatado com vida um menino de 11 anos. Nestes momentos, cada vida representa esperança para a Venezuela.”
No mesmo dia, 33 pessoas foram encontradas com vida, segundo Rodríguez.
Tom Fletcher, chefe da ajuda humanitária da ONU, alertou que o número total de mortos pode aumentar, com mais de 50 mil desaparecidos. A cidade litorânea de La Guaira, localizada a 40 quilômetros de Caracas, é uma das mais afetadas pelos sismos de magnitude 7,2 e 7,5, parecendo uma zona de guerra, com dezenas de edifícios desabados.
A população local expressa sua frustração com a assistência lenta do governo. Marlon Ochoa, um sobrevivente do desabamento, desabafou:
“Ainda não vejo as autoridades assumindo o controle da situação nesta área. Se hoje não vier ninguém aqui, vamos fazer uma revolução, porque aqui precisamos de coisas: máquinas, geradores, furadeiras, de tudo.”
Ele está à procura de sua mãe, esposa e filho, desaparecidos sob os escombros.
Héctor Aguilera, de 60 anos, também está na região à procura de familiares soterrados. Ele expressou a necessidade de apoio:
“Não temos apoio para retirar nossos familiares. Nós mesmos não conseguimos. Eles estão enterrados lá.”
Um grupo de familiares de desaparecidos bloqueou uma rodovia em La Guaira, exigindo ajuda urgente do governo.
O papa Leão XIV enviou uma mensagem de solidariedade:
“Desejo expressar minha proximidade às irmãs e aos irmãos venezuelanos e agradeço a todos que trabalham generosamente nas tarefas de busca e assistência.”
A ONU estima que os terremotos podem afetar quase sete milhões de pessoas e causar danos materiais de US$ 6,7 bilhões.
O aeroporto internacional de Caracas reabriu parcialmente no sábado, recebendo voos de carga com ajuda dos Estados Unidos, que ofereceu US$ 150 milhões e apoio com dois navios de guerra. Rodríguez afirmou que 24 países enviaram mais de 2.700 socorristas e 521 toneladas de ajuda humanitária, além de 86 unidades estrangeiras com cães treinados para localizar sobreviventes.
A crise econômica na Venezuela tem impactado gravemente os serviços públicos e hospitais, levando milhões a deixar o país. Um bombeiro australiano, Craig Demeillon, que chegou à Venezuela para ajudar, descreveu a situação:
“Está tudo muito caótico; faz calor e há uma desorganização total. Esperamos que ainda haja pessoas para serem encontradas.”
A presidente interina anunciou a militarização de La Guaira para garantir a segurança, restringindo o acesso a pessoas com autorização do governo. Carlos Itriago, um socorrista, lamentou:
“É preciso ter autorização para salvar vidas, imagina só.”
La Guaira já havia enfrentado uma tragédia semelhante em 1999, quando chuvas e deslizamentos resultaram em mais de 10 mil mortos.
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