As ações da Adidas sofreram forte queda na terça-feira após o Bank of America (BofA) rebaixar a recomendação do papel em dois níveis, para Underperform, ao avaliar que a narrativa de recuperação da companhia já está amplamente precificada. Na visão do banco, o cenário à frente aponta para crescimento mais modesto e normalização de margens, em meio a um ambiente setorial mais desafiador.
O BofA reduziu o preço-alvo de €213 para €160, o que representa um potencial de queda de cerca de 5% em relação ao último fechamento. Em relatório assinado pelos analistas liderados por Thierry Cota, o banco destacou que “a história de recuperação do grupo é bem conhecida e deixou de gerar revisões positivas de lucro por ação há vários trimestres”.
Por volta das 06h06 (horário de Brasília), os papéis da Adidas recuavam 6,3%, sendo negociados a €159,15.
Segundo o banco, a Adidas entra agora em uma fase de crescimento estruturalmente mais baixo, com expectativa de expansão orgânica de vendas em um dígito e margens EBIT convergindo para médias históricas de longo prazo. Diante desse cenário, o BofA revisou para baixo suas projeções de lucro, com um corte de 7% nas estimativas para 2027 e reduções ainda mais significativas nos anos subsequentes.
Em um ambiente mais competitivo, os analistas avaliam que o interesse dos investidores tende a migrar para empresas do setor esportivo com trajetórias de crescimento mais consistentes, citando On e Asics como potenciais beneficiárias. Além disso, uma eventual recuperação da Nike, principal concorrente da Adidas, e possivelmente da Puma, também pode atrair maior atenção do mercado.
Embora o desempenho no curto prazo não seja visto como o principal risco, o BofA levanta dúvidas sobre o que sustentará os resultados após o impulso da Copa do Mundo no primeiro semestre de 2026. As projeções de consenso para 2026 — que incluem crescimento sólido e margem EBIT de dois dígitos — são consideradas factíveis, mas o banco alerta que o fôlego deve diminuir a partir desse ponto.
Para 2027 em diante, o BofA projeta desaceleração do crescimento orgânico das vendas para cerca de 5%, abaixo da estimativa anterior de 7% a 8%, além de normalização das margens brutas, à medida que fatores favoráveis como dólar mais fraco, custos de frete reduzidos e menor necessidade de promoções perdem força.
O banco também identificou sinais de perda de momentum da marca. Apesar de o crescimento do quarto trimestre ainda dever superar a média do setor, parte desse desempenho estaria ligada a um efeito temporário da Copa do Mundo. Sem esse impulso, a tendência implícita para o restante do negócio seria mais fraca, com desaceleração sequencial do crescimento da marca principal e menor alavancagem operacional.
Do ponto de vista de avaliação, o corte no preço-alvo reflete lucros esperados mais baixos, redução da premissa de crescimento terminal no modelo de fluxo de caixa descontado e a reintrodução de um desconto de 10% em relação aos concorrentes — patamar alinhado ao histórico de negociação da ação à medida que crescimento e margens retornam aos padrões do setor.
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