A cúpula do Comando Vermelho (CV) transformou o Complexo Penitenciário de Gericinó, no Rio de Janeiro, em um centro nacional de comando da facção criminosa.
Mensagens interceptadas pela Polícia Civil mostram que lideranças presas no local transmitiam ordens para criminosos de diferentes Estados. As ordens abrangem disputas por território, conflitos internos e punições a integrantes do grupo.
As conversas revelam que as decisões deixaram de se limitar ao Rio de Janeiro, passando a influenciar a atuação da organização em diversas regiões do país. Segundo investigadores, os bandidos criaram uma espécie de “diretor de governança” para mediar conflitos e coordenar ações da facção mesmo de dentro da prisão.
Arnaldo da Silva Dias, conhecido como Samurai ou Naldinho, exercia esse papel enquanto cumpria pena na Penitenciária Gabriel Ferreira Castilho, a Bangu 3, no Complexo de Gericinó.
Em uma conversa interceptada pela Polícia Civil, um integrante da cúpula do CV em Rondônia relatou ao traficante Edgar Alves de Andrade, o Doca, um conflito entre integrantes do CV e do Primeiro Comando da Capital (PCC) em um presídio de Porto Velho.
Doca respondeu que seria necessário “colocar o Samurai na linha” para resolver a situação. Dias, então, repassou orientações aos integrantes da facção em Rondônia.
A Delegacia de Combate às Organizações Criminosas e à Lavagem de Dinheiro considera que o diálogo demonstra que o preso atuava como mediador de conflitos regionais, exercendo influência sobre decisões nacionais da organização.
As investigações mostram que o CV ampliou a centralização das decisões nos últimos anos, especialmente após a expansão da facção para outros Estados, movimento que se intensificou desde 2016, quando o grupo rompeu a aliança com o PCC.
As mensagens também mostram que Doca e Samurai discutiam frequentemente problemas envolvendo integrantes do Comando Vermelho em diferentes regiões do país. Em um dos diálogos, eles trataram de regras relacionadas à trégua firmada entre CV e PCC em 2025, que durou menos de três meses, terminando em abril daquele ano.
As autoridades já haviam identificado a influência de Samurai dentro do sistema prisional em outras investigações. Em 2024, ele redigiu um comunicado interno da facção que determinava uma trégua temporária durante reuniões do G20 no Rio de Janeiro.
Em novembro do ano passado, a Justiça autorizou a transferência de Samurai para a Penitenciária Federal de Catanduvas, no Paraná, após pedidos das polícias Civil, Militar e Federal e do Ministério Público. Segundo a Secretaria de Polícia Penal do Rio de Janeiro, o traficante respondeu a processos disciplinares durante o período em que permaneceu em Gericinó, inclusive por posse ou uso de aparelho celular.

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