Henrique Videira, do Banco Central, disse no GovStage que tokenização permite supervisão mais ativa por meio de dados com hash e timestamps. Ele diz que infraestruturas digitais vão transformar coleta e monitoramento.
Na última quarta-feira, 12 de agosto de 2026, Henrique Videira, gerente de ativos virtuais do Banco Central do Brasil, apresentou sua visão sobre a tokenização durante o fórum GovStage, realizado no Blockchain Rio. Ele enfatizou que essa tecnologia pode abrir novas possibilidades para uma supervisão mais ativa do sistema financeiro, utilizando dados registrados por hash e timestamps.
Videira explicou que as novas infraestruturas digitais têm o potencial de transformar a maneira como o Banco Central coleta, confere e monitora informações enviadas pelas instituições financeiras. Atualmente, uma quantidade considerável desses dados chega por meio de declarações, necessitando de conciliações posteriores entre informações de diferentes fontes, como saldos e riscos de mercado.
“Imagine se você tiver um sistema em que as instituições financeiras fazem o reporte, que essas declarações fazem parte de um hash. Elas estão dentro de uma árvore de declarações. Elas registram o timestamp e registram todos os dados ali”, afirmou Videira.
De acordo com o gerente, registros por hash poderiam criar uma referência verificável dos dados enviados em cada período, enquanto os timestamps indicariam o momento em que as informações foram registradas. Este modelo permitiria a verificação do conteúdo informado em um determinado momento e a identificação de mudanças subsequentes.
Embora a tecnologia proposta possa reduzir o tempo gasto na conciliação de dados, Videira destacou que isso não implica que o Banco Central começará uma supervisão em tempo real imediatamente. A frequência com que as informações são recebidas e processadas dependerá da capacidade tecnológica da autarquia.
“A variável em que estamos ali é a periodicidade de informes”, explicou Videira. Ele afirmou que o BC deve determinar o intervalo adequado para o recebimento dos dados de acordo com sua infraestrutura e capacidade de processamento.
A integração entre sistemas diferentes não apenas facilitaria a conferência das informações, como também ampliaria a visão do Banco Central sobre a economia do país. Videira acredita que um novo ecossistema pode permitir a observação de ativos que não são claramente visíveis com os atuais métodos de acompanhamento.
Além disso, a tokenização poderia reduzir a dependência de tarefas manuais, embora exija um aprimoramento na capacidade de processamento, novos algoritmos e ferramentas para a reconciliação automática de dados. Videira reconheceu que essa transformação ainda enfrenta desafios técnicos, mas acredita que é um caminho potencial para uma supervisão mais ativa.
A interoperabilidade foi destacada como fundamental para o avanço da tokenização. Videira observou que o mercado já utiliza elementos comuns em smart contracts, como os métodos de emissão e queima de tokens, conhecidos como mint e burn. Contudo, ele ressaltou que as diferentes infraestruturas devem progredir na definição de padrões para timestamps e comunicação entre contratos e redes.
Por fim, Videira questionou quem deveria estabelecer essas regras: o mercado, reguladores, o governo ou a sociedade. Ele afirmou que a criação desses padrões não implica que uma tecnologia substituirá imediatamente as anteriores, permitindo que sistemas legados, mainframes e blockchains coexistam, desde que sejam interoperáveis.
O gerente citou os pagamentos transfronteiriços como um campo em que as tecnologias emergentes já demonstram ganhos de eficiência, sinalizando que diferentes protocolos e padrões continuarão a competir, e as soluções com maior eficiência e adesão do mercado terão mais chances de prosperar.
Fonte: Cointelegraph Brasil
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